Falava, se entusiasmava e era escutado. Concordavam, debatiam, deixavam claras as opiniões. As mesmas. Dos outros. Não era ouvido. Sempre. Os mesmos assuntos. Recorrente. Cansado do próprio discurso, dos próprios gostos, da própria voz, simplesmente calou-se. Diante de todos que, com ele, latiam, fazendo cara de quem compreendia, absorvia e admirava. E, inocentemente surpreso, não era falto ali. Dentre tantos latidos, mugidos e grunidos, pseudo-argumentativos, repetitivos – afinal, não passavam de papagaios com preguiça de pensar – a falta de sua voz não foi sentida. Ao final, onde, numa infeliz certeza, conseguiu concluir que a “Festa no Céu”, não era mais objetivo, não significava nada mais pra ele, não era mérito, ao contrário do que pregavam. Ao ensaiar descer à Terra, certo de que não seria notado – nesse exato momento – perguntaram o porquê de estar quieto, deixando. Justamente quando a opinião dele era a crucial naquele momento (esperavam o mesmo de sempre, toda vez). Dando a eles o que esperavam, mas não da forma como esperavam, munido de oráculos, ecos e Deuses. Os destituiu e, com toda obviedade insuspeitável daquelas duas palavras, abriu a Caixa de Pandora ao responder.
sábado, 10 de novembro de 2007
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Um comentário:
E dentro da caixa só ficou a esperança?
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